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quinta-feira, janeiro 16, 2020

O FUNDO É APENAS O COMEÇO - NEAL SHUSTERMAN

SinopseUma poderosa jornada da mente humana, um mergulho profundo nas águas da doença mental.
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CADEN BOSCH está a bordo de um navio que ruma ao ponto mais remoto da Terra: Challenger Deep, uma depressão marinha situada a sudoeste da Fossa das Marianas.
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CADEN BOSCH é um aluno brilhante do ensino médio, cujos amigos estão começando a notar seu comportamento estranho.
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CADEN BOSCH é designado o artista de plantão do navio, para documentar a viagem com desenhos.
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CADEN BOSCH finge entrar para a equipe de corrida da escola, mas na verdade passa os dias caminhando quilômetros, absorto em pensamentos.
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CADEN BOSCH está dividido entre sua lealdade ao capitão e a tentação de se amotinar.
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CADEN BOSCH está dilacerado.
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Cativante e poderoso, O Fundo é Apenas o Começo é um romance que permanece muito além da última página, um pungente tour de force de um dos mais admirados autores contemporâneos da ficção jovem adulta.

★★★★★/5

Sabe aquele livro que você começa sem dar muita atenção e começa muitas vezes só porque ele está lá na estante te encarando? Então, O fundo é Apenas o Começo, comigo, foi mais ou menos assim.

Eu comprei faz um tempo, pois estava na promoção e confesso que nem lembro se cheguei a olhar a sinopse. 

Resolvi das uma chance a ele agora no início do mês e estou completamente apaixonada e sem palavras para descrever o quanto esse livro é necessário.

Além de livros policiais e de terror, eu também AMO livros que abordam temas como doenças psicológicas e psiquiátricas.

Eu faço tratamento para depressão, como a maioria de vocês deve saber, e já trabalhei como professoras de alunos especiais. Então para mim é super importante ler sobre esses temas e encontrar personagens que representam como nos sentimos.

Em O fundo é apenas o começo o autor Neal Shusterman não fala diretamente qual é o espectro em que o Caden está. Mas dá para entender que ele sofre de esquizofrenia.

No começo eu fiquei meio perdida sem saber que história era aquela de navio e capitão e papagaio. Depois tudo vai fazendo sentido e você passa a ligar os pontos e entender melhor.

A história toda é muito incrível e extremamente necessária. Entretanto algo que me fez admirar mais ainda o Neal Shusterman é que nas páginas finais ele explica que o livro foi baseado em sua experiência com seu filho, que é o responsável pelas ilustrações ao longo do livro.

Demorei um pouco para pegar o ritmo da leitura, mas compensou bastante e sem dúvida é um livro que todos deveriam ler. 

Entender o pouco que seja sobre esquizofrenia já é um grande passo para acabar com o preconceito e também para ter um pouco de empatia. É tudo que precisamos.



Título: O fundo é apenas o começo
Autor: Neal Shusterman e Brendan Shusterman
Páginas: 272
Ano: 2018
Editora: Valentina
I.S.B.N: 9788558890625

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quarta-feira, janeiro 15, 2020

A MULHER NA JANELA - A.J. FINN

Sinopse: Anna Fox mora sozinha na bela casa que um dia abrigou sua família feliz. Separada do marido e da filha e sofrendo de uma fobia que a mantém reclusa, ela passa os dias bebendo (muito) vinho, assistindo a filmes antigos, conversando com estranhos na internet e... espionando os vizinhos. Quando os Russells – pai, mãe e o filho adolescente – se mudam para a casa do outro lado do parque, Anna fica obcecada por aquela família perfeita. Até que certa noite, bisbilhotando através de sua câmera, ela vê na casa deles algo que a deixa aterrorizada e faz seu mundo – e seus segredos chocantes – começar a ruir. Mas será que o que testemunhou aconteceu mesmo? O que é realidade? O que é imaginação? Existe realmente alguém em perigo? E quem está no controle? Neste thriller diabolicamente viciante, ninguém – e nada – é o que parece. "A Mulher Na Janela" é um suspense psicológico engenhoso e comovente que remete ao melhor de Hitchcock.
★★★★/5

Vocês também pegam o gancho de lançamentos de filmes e aproveitam para ler o livro? Eu costumo fazer muito isso, tanto com filmes quanto com séries. 

Desde que fiquei sabendo que em agosto sai a adaptação de A Mulher na Janela eu fiquei louca para ler o livro logo. Nem precisei andar muito. Precisei ir nas Lojas Americanas e lá estava ele em promoção. Não resisti e trouxe para casa.

Preciso dizer que, apesar de ter gostado da história no geral, o livro é bem previsível. Desde o início eu imaginava como seria o final e não foi muito diferente do que pensei.

Ainda assim, é um livro que vale a pena super de ler, pois é muito suspense do início ao fim e sim, a história te prende bastante.

Gostei da estrutura em que a história é contada, intercalando momentos do presente e do passado, que levaram Anna Fox a desenvolver o transtorno que a impede de sair de casa.

Fiquei me perguntando durante muito tempo o motivo pelo qual o marido da Anna Fox falava com ela tão tranquilamente no telefone, sendo que estão separados já há algum tempo. O motivo é bem interessante.

Mesmo a história sendo um pouco previsível, tenho certeza de que você ainda vai se surpreender com o final. E mais do que nunca os romances policiais me ensinam a não confiar em ninguém.

Uma coisa que não gostei de verdade é que o autor A. J. Finn enrola muito nos detalhes. Acredito que se ele fosse objetivo e direto o livro teria no máximo umas 150 páginas.

Mas dá para aguentar até o fim. Vai por mim.

Você já leu esse livro? Ficou sabendo do lançamento? Deixe seu comentário para eu saber o que você achou.

Título: A mulher na Janela
Autor: A. J. Finn
Páginas: 352
Ano: 2018
Editora: Arqueiro
I.S.B.N: 9788580418323

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quarta-feira, outubro 23, 2019

A GAROTA NO GELO - ROBERT BRYNDZA

Sinopse: Seus olhos estão arregalados… Seus lábios estão entreabertos… Seu corpo está congelado… Mas ela não é a única.
Quando um jovem rapaz encontra o corpo de uma mulher debaixo de uma grossa placa de gelo em um parque ao sul de Londres, a detetive Erika Foster é chamada para liderar a investigação de assassinato.
A vítima, uma jovem e bela socialite, parecia ter a vida perfeita. Mas quando Erika começa a cavar mais fundo, vai ligando os pontos entre esse crime e a morte de três prostitutas, todas encontradas estranguladas, com as mãos amarradas, em águas geladas nos arredores de Londres.
Que segredos obscuros a garota no gelo esconde? Quanto mais Erika está perto de descobrir a verdade, mais o assassino se aproxima dela.
Com a carreira pendurada por um fio depois da morte de seu marido em sua última investigação, Erika deve agora confrontar seus próprios demônios, bem como um assassino mais letal do que qualquer outro que já enfrentou antes.
★★★★/5

Quantos títulos de livros você consegue citar que começam com "A garota no/na..."? Eu pelo menos cinco. E mesmo com títulos tão parecidos e histórias envolvendo o assassinato de jovens meninas, particularmente gostei e gosto muito desse tipo de enredo.

A garota no gelo foi uma leitura muito agradável e rápida, apesar de toda a crueldade envolvendo a morte da jovem Andrea Douglas-Brown.

Gosto de livros policiais, porque mesmo que eu nunca adivinhe quem é o culpado, acho maravilhoso bancar o Poirot desvendar junto com a polícia do livro o mistério sobre a morte de alguém.

A investigadora Erika Foster é a responsável pelo caso e, olha, é agoniante o modo como as coisas de desenrolam.
"Os detalhes do caso cresciam e se emaranhavam na cabeça de Érika como uma gigantesca cama de gato. Em algum lugar havia um elo perdido, algo que pudesse ligar o homem que tentou matar Erika a todas as outras mortes."
Algo que sempre me deixa incomodada nesse tipo de história é o seguinte: a (o) detetive é incrivelmente bom no que faz, depois de negar várias vezes a (o) detetive pega o caso. Ela (ele) segue sua intuição, é afastado do caso. Resolve tudo no final.

Entendo que o processo de escrita não é nada fácil, mas para mim, essa sequência já deu tudo o que tinha que dar. E quem continua lendo livros assim? Eu mesma!

Não sei explicar. É algo mais ou menos como: detesto, porém amo. Mais alguém? De qualquer forma, não deixa de ser uma boa leitura, que entretém e diverte, sem contar que a expectativa de descobrir quem fez o que é sempre uma delícia.

Eu curti bastante o enredo e achei legal que a Erika Foster seja a personagem principal, sempre é bom ter mulheres fortes e que acabam se impondo de uma forma ou de outra, provando que mulher pode sim.

Aliás, acredito que temos que ler mais literatura onde temos mulheres em posições naturalmente masculinas, é importante sim.

Fica aqui a minha recomendação e espero que gostem.

Título: A garota no gelo
Autor: Robert Bryndza
Páginas: 336
Ano: 2016
Editora: Gutenberg
I.S.B.N: 9788582354049

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segunda-feira, outubro 21, 2019

O CÉREBRO NO MUNDO DIGITAL - MARYANNE WOLF

O cérebro no mundo digital  Maryanne Wolf
Sinopse: O que acontece no nosso cérebro quando lemos? Como a multiplicação de telas nas nossas vidas afeta a forma como lemos? E quais os perigos – e oportunidades – da leitura digital? Essas questões são analisadas pela neurocientista norte-americana Maryanne Wolf. Com base em diversas pesquisas, a autora mostra a importância da leitura profunda na história da humanidade e como ela está ameaçada. Mas nos dá esperança: é possível educar as crianças para que sejam duplamente letradas, tanto em livros impressos quanto em leitura digital. Dessa forma, elas poderão aproveitar o melhor dos dois universos.
A neurocientista Maryanne Wolf recebeu diversos prêmios acadêmicos e é incansável defensora do letramento das crianças ao redor do mundo. Diretora do Center for Dyslexia, Diverse Learners, and Social Justice na UCLA (Universidade da Califórnia) e professora da Tufts University, é autora de mais de 160 publicações científicas

Que livro sensacional! Preciso começar assim, pois ele é resultado de uma pesquisa da autora e que nos mostra como o mundo digital nos faz perder o foco  das nossas leituras tão facilmente. O Cérebro no Mundo Digital é um livro rico em informações e importantíssimo ainda mais se você trabalha com leituras ou lê por pura diversão.

Algo que me chamou bastante atenção nesse livro é o fato de que ele reflete muito bem a minha vida como leitora. Eu adoro ler e é algo que faz parte do meu dia a dia, mas sei o quanto estar conectada faz a qualidade da minha leitura cair.

Esse livro é tão importante para mim que me fez refletir sobre como eu lido com minha vida digital e o quanto eu permito que ela me afete em vários aspectos da vida. Em entrevista Maryanne Wolf diz:

"Testei a mim mesma e foi realmente frustrante 
descobrir que eu estava me tornando cognitivamente impaciente, 
e com essa impaciência eu não conseguia 
ficar tão facilmente imersa em minha leitura. 
Então temos de tomar cuidado."

Jogo agora algumas perguntas para você: como você lê? Você consegue se desconectar e ler de forma profunda? Quando lê, você se envolve totalmente com aquela leitura e sente que realmente absorveu o conteúdo?

Comigo se tornou normal parar no meio de uma leitura e pegar o celular apenas para nada. E isso é horrível, triste, decepcionante. Sempre me sinto mal quando o faço e tento cada dia mudar isso, mas é difícil, confesso.

Como professora, pessoa que lida diariamente com adolescentes e jovens que estão muito mais conectados que eu é algo desesperador. Não há nada de mais em ser uma pessoa antenada, que entende de tecnologia e gostar de estar online. Mas querendo ou não, está mais do que comprovado que nossa leitura está ficando em segundo plano.

E pior, está cada dia menos profunda e proveitosa. Vocês têm noção do quanto isso é preocupante? 

"O que acontecerá com os jovens leitores que nunca encontram e entendem pensamentos e sentimentos de alguém totalmente diferente? O que acontecerá com leitores mais velhos que começam a perder contato com esse sentimento de empatia por pessoas com que não tê contato ou parentesco?"

A leitura não é algo natural, é algo que se conquista com o tempo. Quantas pessoas nós conhecemos que simplesmente não gostam ou não têm paciência para ler? Fico triste quando ouço isso, porque sei que dificilmente essa pessoa irá conseguir ter um hábito de leitura. Não importa qual livro indiquemos.

"Um erro grande e fundamental para - que teve muitas consequências infelizes para crianças, professores e pais pelo mundo afora -  é a crença de que a leitura é natural para os seres humanos e que ela simplesmente emergirá, completa como acontece com a linguagem, quando ela estiver pronta. Não é o caso; para a maioria de nós, os princípios básicos dessa invenção não natural e cultural precisam ser ensinados."

E cada dia mais fica complicado, pois as crianças de hoje praticamente já nascem com um celular na mão. Como a autora cita, a leitura precisa ser ensinada, a prática, o hábito de leitura precisa ser inserida na nossa vida, já que não é algo cultural nosso.

O cérebro no mundo digital é um ótimo livro e nos traz uma incrível reflexão a respeito do funcionamento do nosso cérebro nessa era que cada dia mais vai se tornando digital. 

Não é só pela questão da leitura. Às vezes tenho a impressão de que estamos ficando preguiçosos, porque toda a informação de que precisamos está a um Google de distância. Quanta informações falsas nós transmitimos apenas por ler um título de reportagem que não reflete exatamente a matéria escrita?

A preguiça de ir a fundo e pesquisar o que realmente acontece na nossa cidade, estado ou país é grande. As fake news comprovam tudo isso a cada dia. É triste, mas acredido e tenho fé que é algo que pode ser mudado. Talvez eu seja ingênua a esse ponto, mas ainda acho que somos capazes de mudar essa realidade.
Milca Abreu - Blog Sabe o inverno. Design by Berenica Designs.