terça-feira, janeiro 15, 2019

LIVRO | MARIA BONITA - ADRIANA NEGREIROS

Sinopse: A mulher mais importante do cangaço brasileiro, que inspirou gerações de mulheres, ganha agora sua biografia mais completa e com uma perspectiva feminista. Embora a mitificação da imagem de Maria Bonita tenha escondido situações de constante violência, ela em nada diminui o caráter transgressor da Rainha do Sertão.
Desde os anos 1990, quando Vera Ferreira, filha do casal de cangaceiros mais famoso do Brasil, cravou como data de nascimento de sua mãe o 8 de março, Maria Bonita é celebrada no Dia Internacional da Mulher. Com o tempo, transformou-se em uma marca poderosa.
Enquanto a companheira de Lampião viveu, no entanto, essa personagem nunca existiu. A cangaceira que teve a cabeça decepada em 28 de julho de 1938 era simplesmente Maria de Déa: uma jovem de 28 anos que morreu sem jamais saber que, um dia, seria conhecida como Maria Bonita.
Nos anos em que viveu com Lampião e nos subsequentes à sua morte, despertou pouco interesse em pesquisadores ou jornalistas. E foi essa lacuna de informações sobre sua vida e a das outras jovens que viviam com o bando que contribuiu para que se criasse a fantasia de uma impetuosa guerreira, hábil amazona do sertão, uma Joana D'Arc da caatinga. Essa versão romântica e justiceira de Maria Bonita, rapidamente apropriada pela indústria cultural, tornou-se um produto de forte apelo comercial — e expandiu seus limites para além das fronteiras do sertão. Neste livro, Adriana Negreiros constrói a biografia mais completa até então daquela que é, sem dúvidas, a mulher mais importante do cangaço.
Ainda tenho muito o que aprender sobre o movimento feminista e a participação das mulheres na história do mundo. Acredito que a melhor forma de aprender sobre mulheres históricas é lendo sobre elas.

Não quero me aprofundar no assunto, mas a situação atual do Brasil – e do mundo – em relação às mulheres é bem triste. Mesmo sendo contra várias coisas dentro do movimento eu acredito que sim, é fundamental e discordâncias existem em todos os lugares.

É importante dizer isso já que Maria Bonita é uma “biografia” sobre uma mulher que é extremamente importante e inspiradora ao mesmo tempo que é esquecida, já que Lampião se sobrepõe à todos daquela época.

Apesar de ser classificado como uma biografia, de biografia o livro tem bem pouco. Com base em documentos da época, que por sinal eram bem poucos, a escritora Adriana Negreiros nos apresenta um retrato da época em que Maria Bonita viveu. Até antes de ser decapitada, seu nome é Maria de Déa.

Temos aqui o maior exemplo do quanto o papel da mulher foi deixado de lado durante a história. Poucos documentos retratam o que elas realmente passaram, certamente não tinham importância para serem registradas suas vivências. 

Como eu disse ali em cima, Adriana Negreiros tomou por base textos e reportagens da época, que são poucos, mas que mostram uma realidade escancarada de como era ser mulher no sertão. É uma coisa que nunca vou me habituar: ler relatos de como o estupro era algo comum em tempos passados.


Para uma jovem estuprada por cangaceiro nos anos 1930 no sertão do nordeste não havia muito a fazer além de maldizer a própria sorte. Denunciar o crime as forças volantes seria duplamente temerário. Coiteiro que entregasse cangaceiros a policia, por maior que tivesse sido sua folha de serviços prestados ao bando, assinava a própria sentença de morte. Ademais a queixa seria compreendida como uma confissão de culpa do acoitamento. E muitos soldados tinham por habito punir crimes como aquele com as próprias mãos – ou com o próprio pênis.
Foi o que fizeram, por exemplo, com a filha de dona Elvira, viúva que dava asilo aos cangaceiros no interior de Pernambuco. Ao visitar a fazenda da mulher em busca de informações sobe o bando, encontraram a menina sozinha em casa. O cabo Roseno, que comandava a busca, decidiu estuprar a garota e oferecê-la, na sequência aos colegas de trabalho. Depois da violência, ela ficou desfalecida. Em vez de deixá-la em tal estado, o policial achou por bem matá-la. A menina tinha treze anos.


Essa cultura do “foi estuprada para aprender a lição” é atualíssima e, sabe, a sensação é péssima! Fiquei extremamente abalada com o trecho acima e por isso – e outros trechos – não recomendo a leitura a todos. Se você é sensível, fique longe. Gatilhos, essa é a palavra.

Ainda assim, se você tem estômago, é um livro importantíssimo e que precisa ser lido para que entendamos o passado para que ele não se repita. Ou que, pelo menos, seja minimizado. E que tenhamos mulheres fortes como referencia e inspiração para sempre nos lembrar de que toda a luta é válida.
Adriana Negreiros além de escritora é jornalista graduada pela Universidade Federal do Ceará e filosofa pela Universidade de São Paulo. Mora há alguns anos em São Paulo e já foi editora responsável das revistas Playboy e Claudia. Quanto a convidada do lançamento, Ana Lima Cecílio também é graduada em filosofia pela USP. Além disso, ela dirigiu por quatro anos o selo Biblioteca Azul e trabalhou como editora na Cosac Naify e Terceiro Nome e contribuiu nas editoras Companhia das Letras, 34, Hedra, entre outras.


Título original: MARIA BONITA
Páginas: 296
Lançamento: 31/08/2018
ISBN: 9788547000684
Selo: Objetiva

9 comentários:

  1. Muito bacana esse livro é uma história pra gente se inspirar, gosto de livros que falem sobre mulheres fortes, guerreiras, Adriana Negreiro uma excelente autora, bjs.

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  2. oi!
    Eu adorei o livro :D Maria Bonita é uma grande mulher e que faz parte da nossa historia e pouco se fala dela. Gostei do livro e irei ler com certeza ;)

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  3. Já ouvi falar muito sobre ela, mas apesar disso, não conheço quase nada sobre sua história. Acho que é bem legal terem feito outro livro mais completo sobre ela.

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  4. Muito top essa biografia de Maria Bonita! Uma mulher inspiradora.

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  5. Gosto muito da história de Maria bonita. As fotos são lindas uma pena o triste fim do casal

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  6. eu adoro a historia dessa mulher uma inspiração de mulher

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  7. Gosto muito do história de Maria bonita. As fotos são lindas. Uma pena o triste fim que o casal teve.

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  8. Já li esse livro por causa da escola, e confesso que a história me deixou meio pra baixo! Mas é uma inspiração.

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  9. Que ótima indicação de leitura, já super adicionei na minha lista.

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