quarta-feira, janeiro 16, 2019

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Sinopse: O melhor das histórias de medo, uma seleção de tirar o fôlego e perder o sono. Neste livro, Stephen King, Shirley Jackson, Machado de Assis e outros dividem as páginas para mostrar toda a potência das histórias assustadoras.
Transitando entre o gótico, o horror e o terror ― mas sem se afiliar a nenhuma dessas categorias com exclusividade ―, os dezenove contos deste livro reúnem o melhor das histórias de medo. De Machado de Assis e João do Rio a Lygia Fagundes Telles; de Edgar Allan Poe e Robert Louis Stevenson a Stephen King, grandes nomes da literatura mostram ao leitor toda a potência do gênero. Com seleção e introdução de Julio Jeha, esta antologia traz uma história de H. P. Lovecraft inédita no Brasil, além de uma nova tradução do conto “A loteria”, de Shirley Jackson. Em Contos clássicos de terror, o mal absoluto, o sofrimento de ocasião e até a maldade disfarçada de bem revelam personagens complexos e narrativas impressionantes.
Sigo sendo suspeita para falar sobre esse livro. Sim, já disse isso, mas é que eu não vivo sem histórias de terror, fazer o quê? Claro que um romance inteiro é maravilhoso, mas eu também sou apaixonada por contos, logo, foi a melhor combinação de todas.

Na rodinha de professores de literatura, roda uma fala de um crítico da área que diz que existem livros clássicos e existem aqueles que se tornam nossos clássicos. Basicamente resume o que é esse livro para mim.

É daqueles livros que ficam na cabeceira da cama para qualquer emergência.

São dezenove contos de grandes escritores e que fazem uma mescla - como dito na sinopse - entre o gótico, o terror e o horror. E qual é a diferença entre os três? O gótico é sinônimo de ambiente sombrio, aquele ambiente com um clima pesado e com cenários bem "dark". O terror é basicamente a apreensão. Sabe aquela coisa que você fica esperando pelo susto? Então. Já o horror tem a função de causar repulsa.

Esses três elementos em um único livro é sem dúvida maravilhoso. Julio Jeha é o responsável por organizar o livro e ele acertou bem nas escolhas.

Quero dizer, também, que sou muito fã do trabalho da maioria dos escritores que estão nesse livro. Alguns, confesso, não conhecia e adorei ser apresentada a eles. Fez com que eu me interessasse pelas demais obras de cada um.

Machado de Assis é um dos meus escritores preferidos. O conto A causa secreta está na coletânea e é um dos contos mais pesados dele. Quase não é conhecido popularmente, o que eu acho um grande desperdício.

E com um sorriso único, reflexo de alma satisfeita, alguma coisa que traduzia a delícia íntima das sensações supremas, Fortunato cortou a terceira pata ao rato, e fez pela terceira vez o mesmo movimento até a chama. O miserável estorcia-se, guinchando, ensanguentado, chamuscado, e não acabava de morrer. Garcia desviou os olhos, depois voltou-os novamente, e estendeu a mão para impedir que o suplício continuasse, mas não chegou a fazê-lo, porque o diabo do homem impunha medo, com toda aquela serenidade radiosa da fisionomia. Faltava cortar a última pata; Fortunato cortou-a muito devagar, acompanhando a tesoura com os olhos; a pata caiu, e ele ficou olhando para o rato meio cadáver. Ao descê-lo pela quarta vez, até a chama, deu ainda mais rapidez ao gesto, para salvar, se pudesse, alguns farrapos de vida. 

O conto que menos me prendeu, e aliás parecia que não tinha fim, foi Bárbara, da Casa de Grebe de Thomas Hardy. Achei longo e chato e no final das contas acho que não entendi nada. Mas ainda pretendo lê-lo novamente, já que imagino que seja bom. O organizador não iria colocar uma história ruim nesse livro tão magnífico.


Precisamos exaltar, também, a beleza dessa edição. Sou do tipo que lê tudo, em qualquer lugar, mas tenho uma paixonite por livros bonitos e ainda mais quando são de capa dura. A Companhia das Letras sempre nos traz um capricho imenso que faz você notar o amor da editora pelos livros e pelos leitores.

É realmente um livro que vale a pena e eu espero de coração que vocês se sintam motivados a lê-lo. Acreditem: não haverá arrependimento.

Espero que tenham curtido a dica.

Título original: CONTOS CLÁSSICOS DE TERROR
Páginas: 408
Lançamento: 22/11/2018
ISBN: 9788535931778
Selo: Companhia das Letras

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terça-feira, janeiro 15, 2019

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Sinopse: A mulher mais importante do cangaço brasileiro, que inspirou gerações de mulheres, ganha agora sua biografia mais completa e com uma perspectiva feminista. Embora a mitificação da imagem de Maria Bonita tenha escondido situações de constante violência, ela em nada diminui o caráter transgressor da Rainha do Sertão.
Desde os anos 1990, quando Vera Ferreira, filha do casal de cangaceiros mais famoso do Brasil, cravou como data de nascimento de sua mãe o 8 de março, Maria Bonita é celebrada no Dia Internacional da Mulher. Com o tempo, transformou-se em uma marca poderosa.
Enquanto a companheira de Lampião viveu, no entanto, essa personagem nunca existiu. A cangaceira que teve a cabeça decepada em 28 de julho de 1938 era simplesmente Maria de Déa: uma jovem de 28 anos que morreu sem jamais saber que, um dia, seria conhecida como Maria Bonita.
Nos anos em que viveu com Lampião e nos subsequentes à sua morte, despertou pouco interesse em pesquisadores ou jornalistas. E foi essa lacuna de informações sobre sua vida e a das outras jovens que viviam com o bando que contribuiu para que se criasse a fantasia de uma impetuosa guerreira, hábil amazona do sertão, uma Joana D'Arc da caatinga. Essa versão romântica e justiceira de Maria Bonita, rapidamente apropriada pela indústria cultural, tornou-se um produto de forte apelo comercial — e expandiu seus limites para além das fronteiras do sertão. Neste livro, Adriana Negreiros constrói a biografia mais completa até então daquela que é, sem dúvidas, a mulher mais importante do cangaço.
Ainda tenho muito o que aprender sobre o movimento feminista e a participação das mulheres na história do mundo. Acredito que a melhor forma de aprender sobre mulheres históricas é lendo sobre elas.

Não quero me aprofundar no assunto, mas a situação atual do Brasil – e do mundo – em relação às mulheres é bem triste. Mesmo sendo contra várias coisas dentro do movimento eu acredito que sim, é fundamental e discordâncias existem em todos os lugares.

É importante dizer isso já que Maria Bonita é uma “biografia” sobre uma mulher que é extremamente importante e inspiradora ao mesmo tempo que é esquecida, já que Lampião se sobrepõe à todos daquela época.

Apesar de ser classificado como uma biografia, de biografia o livro tem bem pouco. Com base em documentos da época, que por sinal eram bem poucos, a escritora Adriana Negreiros nos apresenta um retrato da época em que Maria Bonita viveu. Até antes de ser decapitada, seu nome é Maria de Déa.

Temos aqui o maior exemplo do quanto o papel da mulher foi deixado de lado durante a história. Poucos documentos retratam o que elas realmente passaram, certamente não tinham importância para serem registradas suas vivências. 

Como eu disse ali em cima, Adriana Negreiros tomou por base textos e reportagens da época, que são poucos, mas que mostram uma realidade escancarada de como era ser mulher no sertão. É uma coisa que nunca vou me habituar: ler relatos de como o estupro era algo comum em tempos passados.


Para uma jovem estuprada por cangaceiro nos anos 1930 no sertão do nordeste não havia muito a fazer além de maldizer a própria sorte. Denunciar o crime as forças volantes seria duplamente temerário. Coiteiro que entregasse cangaceiros a policia, por maior que tivesse sido sua folha de serviços prestados ao bando, assinava a própria sentença de morte. Ademais a queixa seria compreendida como uma confissão de culpa do acoitamento. E muitos soldados tinham por habito punir crimes como aquele com as próprias mãos – ou com o próprio pênis.
Foi o que fizeram, por exemplo, com a filha de dona Elvira, viúva que dava asilo aos cangaceiros no interior de Pernambuco. Ao visitar a fazenda da mulher em busca de informações sobe o bando, encontraram a menina sozinha em casa. O cabo Roseno, que comandava a busca, decidiu estuprar a garota e oferecê-la, na sequência aos colegas de trabalho. Depois da violência, ela ficou desfalecida. Em vez de deixá-la em tal estado, o policial achou por bem matá-la. A menina tinha treze anos.


Essa cultura do “foi estuprada para aprender a lição” é atualíssima e, sabe, a sensação é péssima! Fiquei extremamente abalada com o trecho acima e por isso – e outros trechos – não recomendo a leitura a todos. Se você é sensível, fique longe. Gatilhos, essa é a palavra.

Ainda assim, se você tem estômago, é um livro importantíssimo e que precisa ser lido para que entendamos o passado para que ele não se repita. Ou que, pelo menos, seja minimizado. E que tenhamos mulheres fortes como referencia e inspiração para sempre nos lembrar de que toda a luta é válida.
Adriana Negreiros além de escritora é jornalista graduada pela Universidade Federal do Ceará e filosofa pela Universidade de São Paulo. Mora há alguns anos em São Paulo e já foi editora responsável das revistas Playboy e Claudia. Quanto a convidada do lançamento, Ana Lima Cecílio também é graduada em filosofia pela USP. Além disso, ela dirigiu por quatro anos o selo Biblioteca Azul e trabalhou como editora na Cosac Naify e Terceiro Nome e contribuiu nas editoras Companhia das Letras, 34, Hedra, entre outras.


Título original: MARIA BONITA
Páginas: 296
Lançamento: 31/08/2018
ISBN: 9788547000684
Selo: Objetiva

segunda-feira, janeiro 14, 2019

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Sinopse: O corpo de um menino de onze anos é encontrado abandonado no parque de Flint City, brutalmente assassinado. Testemunhas e impressões digitais apontam o criminoso como uma das figuras mais conhecidas da cidade — Terry Maitland, treinador da Liga Infantil de beisebol, professor de inglês, casado e pai de duas filhas. O detetive Ralph Anderson não hesita em ordenar uma prisão rápida e bastante pública, fazendo com que em pouco tempo toda a cidade saiba que o Treinador T é o principal suspeito do crime. Maitland tem um álibi, mas Anderson e o promotor público logo têm amostras de DNA para corroborar a acusação. O caso parece resolvido. Mas conforme a investigação se desenrola, a história se transforma em uma montanha-russa, cheia de tensão e suspense. Terry Maitland parece ser uma boa pessoa, mas será que isso não passa de uma máscara? A aterrorizante resposta é o que faz desta uma das histórias mais perturbadoras de Stephen King.
Conheço várias histórias do Stephen King, mas livro, PASMEM, é o primeiro que leio dele. Não posso afirmar que é "a história mais perturbadora" dele, mas afirmo, com toda minha alma que é uma história BEM assustadora.

Não sei bem por onde começar a falar sobre Outsider. É uma leitura tão intensa que te faz tremer desde a sinopse até a última página. Já consegui visualizá-lo adaptado para o cinema e espero que isso se torne real.

Preciso dizer que eu fiquei bem assustada com as descrições do Stephen King, bem assustada mesmo. Como vocês já leram na sinopse, um garoto é estuprado e morto de forma brutal e tudo é relatado em detalhes pelo médico responsável pela autopsia. Apesar de gostar demais de terror, confesso que em alguns casos, relatos me fazem perder o sono ou mesmo ter pesadelos.

Foi o caso de várias partes desse livro. Ele é bem puxado para o gore, então você vai ter uma descrição minuciosa da forma como o corpo do garotinho de onze anos foi encontrado. É pesado.

Vários itens foram testados para a verificação de tipo sanguíneo. O primeiro foi o galho usado para sodomizar a vítima, Frank Peterson, uma criança branca do sexo masculino, onze anos de idade. O galho tinha aproximadamente 56 centímetros de comprimento e oito de diâmetro. Uma seção mais ou menos na metade ficou com a casca arrancada, provavelmente por causa do manuseio brutal pelo criminoso (ver fotografia anexada). Impressões digitais foram encontradas na parte lisa do galho; foram fotografadas e colhidas pela Criminalística Estadual antes de a prova ser entregue a mim pelo detetive Ralph Anderson (DP de Flint City) e pelo policial Yunel Sablo (Polícia Estadual Posto 7). Portanto, declaro que a cadeia de provas permanece intacta.

É uma narrativa que, mesmo contendo um toque macabro, digno de Stephen King, envolve o leitor e faz com que nos sintamos parte da história. Desperta o Sherlock Holmes que há dentro de nós.

Falando em Sherlock Holmes, King, em diversos trechos cita escritores renomados no meio do romance policial e do terror, tais como Agatha Christie e Harlan Coben. Este último, inclusive é um ponto importantíssimo da história, visto que é o álibi do treinador Terry. Quem não queria um álibi desses?

Além do mais, King dá uma pitada de sobrenatural, abordando temas como universos paralelos, já tratados em outras obras do autor, e a possibilidade de haver um duplo de cada pessoa andando por aí. É confuso, mas no final você entende tudo.

Outra coisa que eu gostei bastante em Outsider é o fato de ocorrerem diversas referências não só a escritores, como citado acima, mas também a cultura pop em geral. Um personagem que ficou a noite toda vendo Netflix, uma referência ou outra à Torre Negra, comparação da caçada ao “Forasteiro” aos textos de Bram Stoke em Drácula. É impressionante como Stephen King sabe o que está fazendo, não é atoa que ele é o mestre do terror.

Os capítulos são curtos, o que torna a leitura fluida e rápida e tem a divisão em  12 partes que situa o leitor em que ambiente as próximas páginas acontecerão.

É uma leitura extremamente válida e fundamental para os fãs de Stephen King. É, ainda, um lançamento de 2018 e tenho certeza de que vai agradar muito ao público que ama terror e mistérios.
Stephen King é autor de mais de cinquenta livros best-sellers no mundo inteiro. Os mais recentes incluem Revival, Mr. Mercedes, Escuridão total sem estrelas (vencedor dos prêmios Bram Stoker e British Fantasy), Doutor Sono, Joyland, Sob a redoma (que virou uma série de sucesso na TV ) e Novembro de 63 (que entrou no TOP 10 dos melhores livros de 2011 na lista do New York Times Book Review e ganhou o Los Angeles Times Book Prize na categoria Terror/Thriller e o Best Hardcover Novel Award da Organização International Thriller Writers). Em 2003, King recebeu a medalha de Eminente Contribuição às Letras Americanas da National Book Foundation e, em 2007, foi nomeado Grão-Mestre dos Escritores de Mistério dos Estados Unidos. Ele mora em Bangor, no Maine, com a esposa, a escritora Tabitha King.


Título original: THE OUTSIDER
Tradução: Regiane Winarski
Páginas: 528
Lançamento: 15/06/2018
ISBN: 9788556510679
Selo: Suma de Letras

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quarta-feira, janeiro 09, 2019

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Sinopse: Bestseller mundial, O Homem de Areia conta a história de um serial killer inteligente e manipulador e de dois policiais que precisarão vencer os próprios limites para pegá-lo. Em uma noite extremamente fria em Estocolmo, um homem aparece sozinho e desnorteado em uma ponte. Quando ele é encontrado, a hipotermia já toma conta de seu corpo. Ao ser levado para um hospital, descobre-se que há sete anos ele foi declarado morto. Seu assassinato foi creditado ao serial killer Jurek Walter, que foi preso há alguns anos pelo detetive Joona Linna e sentenciado à prisão perpétua em uma ala psiquiátrica. Enquanto investiga o aparecimento desse homem e tenta entender onde ele esteve durante os últimos sete anos, evidências desconhecidas começam a aparecer e influenciar o caso que já estava arquivado. Com capítulos curtos e ritmo alucinante, O Homem de Areia é um thriller envolvente sobre os limites da maldade.
Que eu sou apaixonada por thrillers todo mundo sabe. Estou em busca de um explicação psicológica para entender essa minha fascinação - de preferência que não seja nenhuma psicopatia. E aí que existem inúmeros livros do gênero e eu espero um dia conseguir ler todos (se você não entende hipérboles, está no lugar errado).

Recebi O homem de Areia, de Lars Kepler em parceria com a editora Alfaguara, que é um dos selos da editora Companhia das Letras. Logo de cara eu soube que iria amar. A história se passa em Estocolmo e ultimamente estou adorando conhecer a literatura de outros países.

Vocês que também curtem histórias de serial killers, já pensaram um que mesmo preso causa pânico em quem está do lado de fora? Então, temos aqui o Jureg Walter, que preciso dizer que não consigo levar esse nome a sério. Ele é do tipo perigoso, frio e manipulador. Mas a história, mesmo sendo sobre ele, também destaca épocas de vida de outros personagens.

Jurek Walter foi considerado culpado por apenas dois homicídios e uma tentativa de homicídio, mas há evidências contundentes que o ligam a outros dezenove casos de assassinato. Treze anos antes, fora flagrado na floresta de Lill-Jan, no Djurgården, em Estocolmo, forçando uma mulher de cinquenta anos a voltar para um caixão embaixo da terra. Ela tinha sido mantida no caixão por quase dois anos, mas ainda estava viva. A mulher sofreu lesões terríveis, estava desnutrida, os músculos tinham definhado, exibia ferimentos de pressão e queimaduras de frio, e tinha sofrido danos cerebrais graves. Se a polícia não tivesse seguido e prendido Jurek Walter ao lado do caixão, talvez ele nunca tivesse sido detido.

É o caso, por exemplo, de Mikel, um garoto que foi sequestrado e mantido em cárcere privado durante 10 anos junto com sua irmã. A forma como ele conseguiu sair de lá é bem curiosa e faz todo sentido no final. Além de Mikel, temos Joona, policial responsável pelo caso e que monta toda uma estratégia para conseguir arrancar de Jurek alguma informação sobre Mikel e sua irmã. 

Em alguns capítulos, a história da infância de Joona é contada, em forma de flashbacks e te faz ter um certo apreço por ele. É o típico cara da polícia que faz tudo pelo trabalho.

Em dado momento, a inspetora Saga Bauer é colocada, de forma estratégica, ao lado de Jurek. Tudo armação e isso faz com que a gente sinta uma aflição enorme. Aquele medo de o louco descobrir que ela não é paciente coisa alguma, sabe? Sem dúvida você vai ficar apreensivo.

Os capítulos são curtos, cerca de duas páginas e meia cada, o que torna a leitura muito tranquila e te faz não querer largá-lo um minuto sequer. No entanto, serei sincera ao dizer que algumas partes poderiam ter sido dispensadas. É um livro relativamente grande se observado apenas a quantidade de páginas (46), mas é uma leitura rápida. Finalizei em dois dias e meio.

Eu adorei cada página de O homem de areia e já imagino ele sendo adaptado para o cinema, oremos!


Lars Kepler é o pseudônimo da dupla de escritores suecos Alexander e Alexandra Ahndoril. Seus livros já foram publicados em 40 idiomas e venderam mais de doze milhões de cópias ao redor do mundo

Título original: SANDMAN
Tradução: Guilherme Miranda
Páginas: 462
Lançamento: 08/10/2018
ISBN: 9788556520739
Selo: Alfaguara

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terça-feira, janeiro 08, 2019

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Sinopse: Pela primeira vez, a reunião de todos os contos de um dos autores mais viscerais da contracultura brasileira. Publicados entre as décadas de 1970 e 1990, os contos de Caio Fernando Abreu são o retrato de uma geração. Os tempos autoritários e sombrios dos anos de chumbo aparecem nesta reunião não apenas como pano de fundo, mas como parte constituinte de uma prosa que se consagrou pelo estilo combativo e radical. Vida e obra, aqui, se misturam a ponto de biografia se transformar em literatura e vice-versa.Em Contos completos, o leitor tem a chance de percorrer toda a produção do autor no gênero da prosa breve. O volume abarca seis títulos ― Inventário do irremediável (1970), O ovo apunhalado (1975), Pedras de Calcutá (1977), Morangos mofados (1982), Os dragões não conhecem o paraíso (1988) e Ovelhas negras (1995) ―, além de dez contos avulsos, sendo três deles inéditos em livro. O livro inclui, por fim, textos de Italo Moriconi, Alexandre Vidal Porto e Heloisa Buarque de Hollanda, que jogam luz sobre a atualidade de Caio Fernando Abreu.Ao escrever sobre amor, morte, medo, sexualidade, solidão e alegria, o autor de Onde andará Dulce Veiga? constrói personagens complexos e absolutamente profundos em cada detalhe. Com verve e sensibilidade, o “escritor da paixão”, na alcunha de Lygia Fagundes Telles, soube como ninguém combinar delírio e lucidez, euforia e angústia, luz e sombra.
É impressionante como alguns escritores brasileiros são, até hoje, praticamente desconhecidos por muita gente. Digo isso porque eu conhecia o Caio Fernando Abreu apenas de ouvir falar. Nunca havia lido nada dele, a não ser aquelas frases de Facebook que muitos compartilham.

Durante o ensino médio e na faculdade, não me lembro de ter ouvido falar do nome dele. Só soube de sua existência já depois de muitos anos e isso é bem triste sabe? Assim como Fahrenheit 451. São autores, leituras importantíssimas e que a meu ver não são muito valorizadas nesses ambientes.

Caio Fernando me tocou imensamente com sua escrita envolvente. Agradecerei eternamente à Companhia das Letras por reunir em um único volume todos os contos dele e também por me dar a oportunidade de ler algo tão precioso de um ícone.

Não sou pra todos. Gosto muito do meu mundinho. Ele é cheio de surpresas, palavras soltas e cores misturadas. Às vezes tem um céu azul, outras tempestade. Lá dentro cabem sonhos de todos os tamanhos. Mas não cabe muita gente. Todas as pessoas que estão dentro dele não estão por acaso. São necessárias.”É um livro bastante longo, afinal são todos os contos reunidos e mais três inéditos. Eu particularmente adoro contos, logo foi muito fácil me apaixonar pelos textos dele. Além disso, eu também adoro saber como era o comportamento das pessoas em determinado ano.

A época da escrita, de 1970 para frente, sem dúvida é o período da história que eu mais gosto de saber dos detalhes. Através do Caio fui transportada para aqueles anos e senti as emoções de uma época tão difícil.

Sabe aquilo que eu disse sobre não ter lido ele antes? Então, quando você lê a biografia do cara, você fica sabendo que durante um tempo ele se hospedou na casa de Hilda Hilst, fugido do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social). Mais uma escritora que eu NUNCA li, porém segue sendo um grande nome da nossa literatura.


A forma como Caio F. Abreu aborda assuntos como homossexualidade e o HIV é bem natural, já que é algo que ele vivenciou. Assuntos importantíssimos e polêmicos da época e até hoje. Raramente alguém escreveria sobre esses assuntos da mesma forma.

Finalizo a minha indicação por aqui e espero que mais pessoas possam conhecer essa obra fantástica.
Caio F. Abreu nasceu em Santiago do Boqueirão, no Rio Grande do Sul, em 1948. Sua obra ganhou forma em contos, novelas, peças, poemas, romances e em uma vasta produção epistolar. Morreu em Porto Alegre, em 1996.

Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também. Tá me entendendo? Eu sei que sim.

Título original: CONTOS COMPLETOS
Páginas: 768
Lançamento: 25/07/2018
ISBN: 9788535931280
Selo: Companhia das Letras

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segunda-feira, janeiro 07, 2019

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Sinopse: Ganhador do prestigioso Man Booker Prize 2017, Lincoln no limbo é uma narrativa original e emocionante. Em 1862, em meio à Guerra Civil Americana, morre, aos onze anos de idade, Willie Lincoln, filho do lendário presidente Abraham Lincoln. A tragédia leva a um luto desesperado o homem que daria fim à escravidão nos Estados Unidos. Com a morte do filho ainda na infância, Abraham Lincoln, o presidente mais importante da história da democracia, vê seu mundo desmoronar. Em plena Guerra Civil, Lincoln esquece o país em conflito para lamentar, no limite da loucura, a morte do filho. Noite após noite, dirige-se à capela do cemitério para abraçar o cadáver do jovem Willie. A partir desse acontecimento histórico, o escritor George Saunders rejeita as convenções literárias realistas e compõe uma narrativa passada no além — no limbo do título, ou melhor, no “bardo” do budismo tibetano, o estágio intermediário entre a morte e o renascimento. Lá, acompanhamos a jornada do jovem Willie, incapaz de aceitar que está morto. Um romance surpreendente, que reinventa o gênero de forma radical. Alternando registro metafísico e documentos históricos e sem medo de abraçar o experimentalismo, Saunders coloca em movimento questões existenciais, históricas e políticas e cria uma obra absolutamente única no cenário contemporâneo.
Já faz um tempo que terminei de ler esse livro, mas acabei me enrolando por aqui na organização. Já aviso que nos próximos dias teremos muitos livros por aqui, porque estou com vários posts pendentes e as resenhas/indicações de livros são a maioria.

Quando a Companhia das Letras sugeriu os livros alguns meses atrás, eu achei a sinopse de Lincoln no Limbo muito interessante. Na verdade tudo que envolve o senhor Abraham Lincoln é interessante e me chama muito a atenção. Então imaginem quando um livro com ele e seu filho morto são os principais personagens e o livro ainda foi premiado? Sim, eu quis ler na mesma hora.

Demorei um pouco para pegar o ritmo, porque eu não estava entendendo nada. A sinopse não me antecipou que seriam 166 narradores. Então você precisa pegar o ritmo e entender que em alguns momentos eles poderão estar falando tudo ao mesmo tempo. É complicado nas duas primeiras páginas.

Você é uma onda que quebrou na praia.

Trata-se de um romance extremamente tocante. É ficção, mas te arrebata de um jeito que você sente a dor do Lincoln pai e Lincoln filho. Ao mesmo tempo você morre de rir de alguns personagens, como por exemplo um certo personagem que morreu durante o ato sexual e vai passar o resto do limbo tendo uma ereção.


É importante frisar que o limbo ou "“bardo” do budismo tibetano, o estágio intermediário entre a morte e o renascimento" é onde a história se passa. O autor George Saunders faz uma mescla entre o budismo e o catolicismo fazendo com que a história não fique maçante.


A história foi criada a partir de vários documentos, cartas e jornais da época, onde os passos do então presidente Abraham Lincoln eram registrados.

Tive a ideia de escrever sobre Lincoln há 20 anos. Mas achava que era como escrever sobre Jesus Cristo, sobre quem todo mundo já escreveu, e ia adiando. Uma hora, vi que a ideia de Lincoln visitando o túmulo do filho era tão comovente que resolvi escrever.

Agora, piada interna nossa: Saunders copiou Machado de Assis ao colocar um narrador defunto nesse livro (risos). Não sei vocês, mas eu acho essa narrativa bem interessante, já que você consegue obter várias perspectivas da história.

Como eu disse ali em cima, é um pouco difícil até pegar o ritmo da leitura, porém, quando você pega fica bem tranquilo e rápido. Perceba que o texto é bem espaçado, isso faz com que aparente um livro grande. Mas já adianto que não é, já que os textos por página são curtos.


George Saunders nasceu no Texas, em 1958. É autor de contos, romances, ensaios e livros infantis. Estudou escrita criativa na Universidade de Syracuse, trabalhou como redator técnico de uma empresa de engenharia ambiental e, em 2006, recebeu a prestigiosa bolsa da MacArthur Fellowship.

Título original: LINCOLN IN THE BARDO
Tradução: Jorio Dauster
Páginas: 408
Lançamento: 26/03/2018
ISBN: 9788535930764
Selo: Companhia das Letras

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